Confira a homenagem que Fernando Scherer fez a Armando Nogueira, em seu blog.
Gostaria de falar um pouco sobre o grande gênio, cronista esportivo, repórter e amigo Armando Nogueira.
Faleceu uma das pessoas mais brilhantes que conheci e com quem aprendi muito… Pessoa que me apoiou muito na minha carreira.
Armando Nogueira escreveu o texto mais lindo que já recebi como homenagem, Scherer, líquido e certo, que posto abaixo.
A pedido do próprio fui ao Acre inaugurar a piscina que leva seu nome, um pedido que jamais poderia ser recusado.
Lembro como se fosse hoje: eu, Gustavo Borges e o presidente da Confederação de Natação, Coaracy Nunes, entregando a ele em Copacabana o título de padrinho da natação…
Quando ele foi me entrevistar, bateu um grande papo comigo. Desde o início da conversa o assunto fluiu com naturalidade e não tive problemas em falar sobre nenhum assunto, até os mais polêmicos, pois nós havíamos estabelecido uma certa harmonia, confiança e amizade. Um grande incentivador do esporte.
Armando, você sempre estará em nossos corações, pensamentos e orações.
Obrigado por tudo!
Fernando Scherer
Scherer, líquido e certo
Para a alegria das águas, o atleta do ano, no Brasil, é Fernando Scherer. O nadador é um herói solitário. Passa horas e horas na companhia de duas raias que nunca se encontram. Silenciosas paralelas de águas fechadas. Águas monótonas que não fluem jamais. A piscina é uma espécie de natureza morta. Não guarda os mistérios das águas remotas. Não tem nem a cólera dos mares, nem o lirismo dos rios. Quer ser um lago, mas não tem a magia do espelho no qual Narciso gosta de se ver. Contemplação da beleza e da força no cristal das águas plácidas.
Pois é nesse universo insípido, sem lendas, sem surpresas, que Fernando Scherer colhe as suas glórias. Líquidas e certas como as boas verdades da vida. O nadar é um estóico. Compete sem magoar ninguém. Nem mesmo a água, cuja “pele ninguém pode ferir”. É no silêncio das águas sitiadas que nosso herói vive a doce aventura de embalar o devaneio do homem. O homem que um dia foi peixe nos confins de um rio ancestral.
Belo gesto esse do Comitê Olímpico Brasileiro. No país dos esportes coletivos, é muito feliz exultar um atleta de um esporte individual. Scherer nadou muito e cada vez melhor este ano. Bateu recordes. Hoje, ele coleciona um tesouro de 16 medalhas internacionais: dez de ouro, cinco de prata e uma de bronze. Na esteira de suas conquistas, há de vir um ano olímpico luminoso pra natação brasileira.